Com interesse crescente por cultura local, história e experiências autênticas, viajantes encontram no afroturismo novas formas de conhecer destinos e valorizar territórios e comunidades negras
Viajar deixou de ser apenas uma forma de conhecer novos lugares. Para uma parcela crescente dos brasileiros, a experiência também passa por descobrir a cultura, a gastronomia, a história e as pessoas que fazem parte de cada território. Uma pesquisa da Booking.com realizada com 32,8 mil pessoas em 34 mercados aponta que 90% dos viajantes brasileiros consideram experimentar a cultura gastronômica e a culinária local uma motivação importante para viajar. Dessa maneira, o levantamento também mostra que 89% têm interesse em aprender sobre diferentes culturas e destinos. Esse comportamento ajuda a explicar a crescente procura por experiências de afroturismo, segmento que conecta viagens à história, à cultura, à memória e às contribuições das populações negras.
No Brasil, onde a formação cultural e social está profundamente ligada à diáspora africana, esse movimento abre espaço para roteiros, experiências gastronômicas, manifestações culturais, lugares de memória e atividades conduzidas por profissionais e empreendedores dos próprios territórios.

O que é afroturismo?
O afroturismo pode ser entendido como um conjunto de experiências turísticas que coloca em evidência a história, a cultura, a ancestralidade e o protagonismo das populações negras. Ele não só acrescenta novos pontos a um roteiro turístico, ele permite contar histórias a partir de outras perspectivas. Pensando nisso, o Viva Pequena África tem entre seus objetivos impulsionar o afroturismo, valorizar a cultura afro-brasileira e promover o desenvolvimento sustentável de comunidades negras. Por isso, a iniciativa também prevê o fortalecimento de roteiros relacionados à ancestralidade africana, afro-diaspórica e afro-brasileira.
As cidades brasileiras guardam territórios fundamentais para compreender a presença e a contribuição da população negra. No Rio de Janeiro, a Pequena África é um desses lugares. A região concentra referências relacionadas à diáspora africana, à formação da população negra, ao samba e às formas de resistência e produção cultural. Por isso, esse terriório, diferentes coletivos e organizações promovem atividades voltadas para essa valorização. É o caso da Casa da Tia Ciata, centro cultural que promove o pesseio turístico ‘Caminhos da Ciata’, e se debruça sobre a história da matriarca do samba.
Além disso, a comida também funciona como uma forma de conhecer culturas. A pesquisa da Booking.com reforça o papel da gastronomia nesse novo comportamento: 90% apontam a culinária local como uma motivação importante para viajar e 52% estão interessados em experiências gastronômicas em estabelecimentos locais e pouco conhecidos.
Dessa forma, comunidades quilombolas e outros territórios tradicionais também fazem parte desse universo. Nesses casos, a participação das próprias comunidades é fundamental para definir como suas histórias, culturas e modos de vida serão apresentadas aos visitantes.
Afroturismo também movimenta uma cadeia de profissionais
O crescimento do segmento também movimenta uma cadeia formada por guias de turismo, produtores culturais, restaurantes, artesãos, empreendedores, artistas e organizações comunitárias. Iniciativas como a Diaspora.Black, plataforma especializada em experiências afrocentradas, reúne atualmente opções em diferentes destinos brasileiros. Entre elas estão roteiros pela Pequena África, experiências relacionadas à história negra de São Paulo, caminhos de personalidades negras, gastronomia, religiosidade, samba e ancestralidade.
Esse ecossistema mostra como o afroturismo pode movimentar a economia criativa, fazendo com que parte dos recursos chegue aos profissionais e negócios envolvidos diretamente com essas experiências.

O Brasil como destino de experiências afrocentradas
O crescimento do afroturismo acontece também em um momento de expansão do turismo brasileiro porque, segundo dados citados pela Exame, o Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025, número 37,1% superior ao registrado no ano anterior. É também a possibilidade de diversificar os e incluir histórias e experiências que por muito tempo permaneceram fora dos principais circuitos turísticos.
No Dia Mundial do Turismo, 27/09, o crescimento desse segmento mostra que conhecer um destino pode significar muito mais do que visitar seus principais cartões-postais, principalmente por um país marcado pela presença africana e afro-brasileira, conhecer essas histórias também é uma forma de conhecer o próprio Brasil.
